Reportagem Especial: Bolsa Formador do Geração Olímpica prepara jovens atletas para o esporte e para a vida
10/06/2021 - 14:57

A Categoria Formador do Programa Geração Olímpica, além de beneficiar campeões em suas modalidades e faixa etária, tem um papel fundamental: de sociabilização e educação. Nesta série especial, vamos contar histórias de contemplados que atualmente brilham nas competições escolares, mas também lembraremos de atletas que iniciaram na Formador, mas que ascenderam a outros patamares, chegando à Categoria Olimpo (voltada àqueles que conquistam vagas para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos).

 

SOBRE O GERAÇÃO OLÍMPICA E SUAS CATEGORIAS – O maior programa de bolsa-atleta entre todos os estados do país é uma realização do Governo do Estado, por meio da Superintendência do Esporte, com o patrocínio exclusivo da Companhia Paranaense de Energia – a da Copel. Dentro de seu regulamento, há sete categorias (divididas por faixas etárias, valores e características de competição): Formador, Técnico Formador, Estadual, Técnico, Nacional e Internacional / Olimpo.

 

A Categoria Formador destina bolsas para atletas entre 11 e 17 anos que disputam modalidades olímpicas e paralímpicas, sendo vinculados aos colégios da Rede Estadual de Ensino. Na edição 2021, vai contemplar 320 atletas que estão iniciando suas carreiras esportivas.

 

A reportagem começa por duas cidades do oeste do estado, Mercedes e Toledo, com histórias que exemplificam o poder de transformação do esporte. Na sequência, um depoimento de Alexandre Pereira de Camargo, que seguiu os caminhos do pai ao escolher a esgrima e, assim, pôde conhecer o mundo, chegando a disputar os Jogos Olímpicos Rio 2016. A matéria fecha com um relato emocionado da bolsista Pam Aires do atletismo. Lá vem história.

 

O ESPORTE É AGENTE TRANSFORMADOR – Mercedes é uma cidade do extremo-oeste do Paraná colonizada por alemães, tem um pouco mais de 5 mil habitantes, sendo a agricultura e a pecuária as principais bases econômicas para o município. A cidade faz fronteira com o Paraguai e tem muita história para contar no esporte, tendo a pesca esportiva como um de seus atrativos, mas o que vem chamando atenção nos últimos anos são os atletas em formação dos times de handebol masculino e feminino do município.

 

Desde 2014, os atletas de Mercedes fazem parte do Geração Olímpica. O primeiro a ser contemplado serviu de exemplo aos demais alunos e hoje, na 10ª edição do programa, Mercedes chega a marca de 20 atletas contemplados e um técnico, o Professor Marlon Neves, que treina a equipe masculina.

 

A professora Catarina Triches Petri, treina a equipe feminina e, motivada com o número crescente de alunos contemplados, declarou: “Logo no início os resultados já chegaram. Em 2015, as quatro equipes de handebol - feminino A e B e a masculino A e B - foram campeãs regionais. A grande motivação era justamente conquistar mais bolsas formadores do Programa Geração Olímpica”.

 

Além disso, desde 2015 as equipes têm participado das fases finais dos Jogos Escolares (JEPS) e Jogos da Juventude do Paraná (JOJUPS), o que tornou Mercedes referência no handebol no oeste do Estado. “Hoje temos 20 bolsistas na Categoria Formador e um na para Técnico. Temos atletas que foram destaques nas competições e já foram convidados a jogar em polos maiores, como Maringá e São Paulo”, conta a treinadora.

 

O esporte tem papel fundamental na vida desses jovens atletas. Além da saúde, também é um agente educacional, pois o desempenho escolar de cada integrante tem aumentado. É o que relata a Professora Catarina, que chama a ação de quatro pilares: família, escola, espiritualidade e esporte. “Antes do atleta ser um jogador, ele é um aluno, então cobramos deles um bom desempenho escolar, além de que eles sejam bons cidadãos”, finaliza Catarina.

 

ENQUANTO ISSO EM TOLEDO - Outra boa história vem de Toledo, cidade eleita como a quinta melhor para se investir e conhecida nacionalmente como a Capital do Agronegócio, do porco no rolete e famosa por suas trilhas ecológicas e esportivas. Em Toledo, os times de futsal e futebol feminino estão dando o que falar. Fazem parte do Programa Social Afeto, que é realizado no Colégio Estadual Senador Atilio Fontana, o CESAF. Comandadas pela Professora Salete Dallanol e Eudes Dallanol, o Afeto conta com 13 alunas contempladas no Programa Geração Olímpica, que conquistaram a bolsa após excelente participação nos Jogos Escolares do Paraná.

 

Essas atletas treinam juntas desde 2017. De acordo com a treinadora Salete “elas são focadas, disciplinadas e são exemplos para outras meninas que vivem a mesma realidade que elas nessa área mais afastada do centro da cidade”. Segundo a professora, a Secretaria de Educação de Toledo viu a necessidade de implantar um projeto na região, foi quando o Colégio CESAF abraçou o Programa Afeto, que tem uma função não somente esportiva, mas também de formar cidadãs. “Quando o Programa Geração Olímpica começou a fazer parte da vida dessas meninas, muita coisa mudou. O apoio financeiro é importante, pois elas compram materiais de treino, ajudam em casa, até mesmo em comprar um gás ou pagar uma conta de luz, e isso faz elas se manterem no Afeto treinando”.

 

Batalha diária que se reflete também na zona rural do município, na Vila Ipiranga, a 25 km de Toledo. De lá, por áudio, um pai suinocultor, Alexandre Bieger, falou sobre os sonhos da filha, a atleta Gabrielly Eduarda Bieger, também bolsista formador. “Estamos muito orgulhosos da nossa Gaby. O esporte é muito importante para ela. Apesar da distância daqui até o local de treino, quando ela recebeu o convite para participar da Associação Afeto, autorizamos sua ida. Mas em dado momento a gente percebeu que estava ficando muito desgastante para ela”, explica o pai.

 

Contudo, o desgaste não era páreo para a paixão de Gaby pelo esporte. Em decisão conjunta com a mãe, a dona Marlene, o pai autorizou a filha a morar no alojamento da Associação Afeto, podendo assim ela estudar e treinar na zona urbana de Toledo. “Nossa filha evoluiu muito, amadureceu, tomou decisões ainda muito nova, com apenas 13 anos, e hoje busca o sonho dela”. O pai ainda relatou que já viveu dias de emoções ao lado da família, quando pela primeira vez foram assistir em Toledo um campeonato oficial no qual a Gabrielly jogou.

 

“Ela é bolsista do Programa Geração Olímpica e esse dinheiro ajuda a manter nossa filha no alojamento, treinando, comprando material, além de desenvolver outras habilidades como a musical. Ela já comprou até instrumentos. Nós a ajudamos com o nosso esforço diário e assim ela segue realizando seu sonho de continuar jogando. É gratificante vê-la em quadra”, declara Alexandre.

 

DO ESCOLAR ÀS OLÍMPIADAS – O esgrimista Alexandre Pereira de Camargo iniciou no Programa Geração Olímpica em 2012, na Categoria Escolar (nesse caso, voltado a atletas com vínculo com a Federação da modalidade) e alcançou a tão sonhada vaga para a Olímpiada Rio 2016 – tornando-se então da Categoria Olimpo (que tem o maior valor de benefício).

 

Desde 2010, a esgrima faz parte da sua vida, paixão herdada do pai. Camargo é talento precoce e já aos 15 anos fazia parte da Seleção Adulta de Esgrima. Foi quando a tão sonhada vaga para o Rio de Janeiro chegou. “A equipe adulta já estava classificada por atuar em casa e eu fiquei entre os melhores do Brasil. Disputei a Olímpiada com apenas 17 anos”, conta.

 

VOANDO NA PISTA – Muitos sonhos e uma paixão: o atletismo. A atleta Pâmela Aires relatou a importância do apoio financeiro do Programa Geração para ela e para atletas de base: “Devido à pandemia, muitos lugares cortaram as bolsas, mas o Geração Olímpica manteve. Por isso, nós atletas, principalmente os que recebem a bolsa Formador, pudemos continuar treinando e investindo em materiais esportivos para competir de igual para igual com atletas de todo o Brasil”, explica.

 

10 ANOS DO GERAÇÃO OLÍMPICA - O ano de 2021 celebra a décima edição (2011-2021) do programa, que vive um momento de celebração ao olhar para uma década de muito desenvolvimento. Neste período, mais de dez mil atletas e técnicos tiveram a oportunidade de receber bolsas em forma de apoio financeiro. Ao longo desse tempo, ajudou no desenvolvimento de suas carreiras e levou o Paraná ao status de referência nacional na área. Durante esses dez anos, a Companhia Paranaense de Energia, a COPEL, foi a patrocinadora – e a maior aliada do esporte no estado. Na edição 2021, será feito um investimento de R$ 4.750.000,00. Fique atento em nossas redes sociais @esportepr e @geracaoolimpicapr.

 

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